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	<title>O Mundo dos Insetos Sociais</title>
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	<description>Blog de ciências biológicas; abelhas, vespas, formigas, cupins.</description>
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		<title>As Viagens Musicais de Paulo Vanzolini</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Aug 2009 03:49:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tulio Kengi Malaspina</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fonte: Revista BRAVO! &#124; Julho/2009 Por Diogo Schelp Como as excursões de um biólogo influenciaram a linguagem e a inspiração de um compositor Criador de clássicos da música brasileira como Ronda, o compositor Paulo Vanzolini sempre teve o hábito de escrever diários de viagem. Anotados a lápis ou caneta-tinteiro durante suas expedições como biólogo, à [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omalaspina.wordpress.com&amp;blog=8939227&amp;post=11&amp;subd=omalaspina&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Fonte: Revista BRAVO! | Julho/2009</em></p>
<p><em>Por Diogo Schelp</em></p>
<h2>Como as excursões de um biólogo influenciaram a linguagem e a inspiração de um compositor</h2>
<p><span lang="PT-BR"></p>
<p align="justify">Criador de clássicos da música brasileira como <em>Ronda</em>, o compositor Paulo Vanzolini sempre teve o hábito de escrever diários de viagem. Anotados a lápis ou caneta-tinteiro durante suas expedições como biólogo, à luz de lampião e enquanto abanava os mosquitos, esses manuscritos estão encadernados em uma dezena de grossos volumes de capa vermelha. Numa comparação livre, levando-se em consideração o abismo de épocas, pode-se dizer que Vanzolini é o último dos naturalistas-viajantes. O músico e cientista, hoje com 85 anos, seria assim o herdeiro da tradição de Spix e Martius, Darwin, Saint-Hilaire, Langsdorff e outros que percorreram o Brasil no século 19, anotando o que viam, colhendo e empalhando espécies animais e pintando a paisagem. Deles, mantém o espírito desbravador e generalista, em extinção em tempos de ciência cada vez mais especializada.</p>
<p align="justify">A maioria das páginas de seus diários, como não poderia deixar de ser, contém inventários detalhados dos bichos encontrados nas incursões mato adentro.Mas há também alguns trechos que permitem, de maneira saborosa, entrever a intersecção entre o Paulo cientista e o Paulo artista. Vanzolini é tema de um documentário que está em cartaz nos cinemas, <em>Um Homem de Moral</em>, dirigido por Ricardo Dias. O filme possibilita uma viagem pelo universo musical de Vanzolini, uma vez que ele se estrutura a partir da atividade do compositor. Já a viagem que os diários propõem é mais errática, complexa e surpreendente. Poderia dar origem a outro documentário.</p>
<p align="justify">Muitos dos sambas de Vanzolini nasceram da observação astuta e bem-humorada do cotidiano de São Paulo.<em> Praça Clóvis</em>, por exemplo, conta a história de um sujeito que teve a carteira batida na fila do lotação, mas fica feliz porque o furto o livrou da foto de uma mulher de quem havia tempos tentava esquecer. &#8220;Tinha vinte e cinco cruzeiros/ e o seu retrato/ Vinte e cinco eu francamente achei barato/ pra me livrarem do meu atraso de vida&#8221;. Nos relatos de viagem, o mesmo interesse pelos detalhes aparentemente banais do cotidiano está presente. Em uma expedição ao interior do Maranhão, em janeiro de 1955, o cientista observa com curiosidade a estratégia usada pelos caboclos para lhe vender animais. Escreveu o zoólogo: &#8220;O pessoal daqui faz tanto negócio por procurador (vindo o procurado junto como espectador) que nem sei mais quem está vendendo. Há um moleque cujo pai vai caçar calangos mas tem vergonha de vender — manda o moleque, que conta tudo (&#8216;me paga logo que meu pai quer comprar uma melancia&#8217;)&#8221;. Na mesma viagem, o cientista anotou a seguinte cena presenciada no banheiro de um hotel em São Luís: &#8220;Um semianalfabeto lendo e explicando para um analfabeto completo uma crônica mundana sobre o festival de Punta del Leste — namoros de Ibrahim Sued, que não fala inglês, com uma jovem qualquer fabulosa que não fala português&#8221;. Sued era colonista social de <em>O Globo</em>.</p>
<p align="justify">Vanzolini não faz questão de esconder que nada entende de música. Ele não sabe diferenciar tom maior de tom menor e, segundo Martinho da Vila, não tem ritmo algum. As suas canções são feitas na pura intuição, com fragmentos do que ele próprio chama de sua memória melódica submersa. Pela frequência e interesse com que anotou, em seus cadernos, versos sertanejos e canções de domínio popular, é natural que estes também tenham influenciado sua memória musical e, como consequência, suas composições. No Maranhão, ele registrou os seguintes versos populares: &#8220;Quando eu vim lá de casa/ que passei no caxelô/ fiz um par de alpercata/ dos queixos do teu avô/ só não fiz mais bem feito/ porque o diabo do véio acordou&#8221;. Semelhante narrativa insolente e desafiadora, típica dos improvisos nordestinos, foi criada por Vanzolini em sua <em>Capoeira do Arnaldo</em>: &#8220;Quando eu vim da minha terra/ Vim fazendo tropelia/ No lugar onde eu passava/ estrada ficava vazia/ quem vinha vindo ficava/ quem ia indo não ia&#8221;. Apesar de ser um compositor urbano, a temática regionalista e os bichos povoam canções como <em>Toada de Luís</em>, <em>O Rato Roeu a Roupa do Rei de Roma</em> e <em>Cuitelinho</em>. Esta última de domínio público e enriquecida pelo zoólogo com duas novas estrofes.</p>
<p align="justify">Entre os versos de autores anônimos anotados por ele, e que de outra maneira teriam se perdido para sempre, está uma moda de viola que ele ouviu em uma expedição de 1964 para capturar cobras na ilha da Vitória, no litoral norte paulista. A <em>Moda do Concar</em> conta a história de um navio espanhol que encalhou nas proximidades da ilha e cuja carga, principalmente óleo de oliva, foi saqueada pelos caiçaras. Hoje, alguns moradores mais velhos do Bonete, praia de pescadores em Ilhabela, ainda se lembram com dificuldade de algumas estrofes da canção. Eles reclamam que não podem mais tocá-la: os pastores das igrejas evangélicas que nos últimos anos se estabeleceram na região proí­bem as músicas tradicionais, consideradas pagãs.</p>
<p align="justify">Em<em> Um Homem de Moral</em>, Ricardo Dias recupera uma cena de um de seus filmes anteriores em que o cientista caminha na mata, com uma espingarda na mão, e discorre sobre o prazer que tem de estar naquele ambiente: &#8220;A mata é uma dessas coisas em que o todo é mais do que a soma das partes. Não é só essa luz, essas plantas, esses bichos, essas vozes, mas é esse todo que penetra a gente&#8221;. A frase do herpetólogo (especialista em répteis e anfíbios) também serve para descrever as letras de seus sambas. Nelas, o todo é muito mais do que simplesmente a soma das palavras. Há sempre em cada estrofe um elemento oculto, algo que não é dito mas está lá, ajudando a formar uma cena, uma imagem, um sentimento. Em <em>Teima Quem Quer</em>, por exemplo, Vanzolini apresenta uma discussão entre um homem e uma mulher. Mas o contexto da briga, o motivo que levou o casal a se desentender e o tipo de relacionamento existente entre eles ficam apenas subentendidos. A elipse também está presente em <em>Cravo Branco</em>, que conta a história de um crime passional. A segunda estrofe do samba descreve o momento em que o sujeito vê o revólver apontado para ele e sua falta de reação. No verso seguinte, a vítima já está desabando no chão. A narrativa omite o tiro.</p>
<p align="justify">Em seus diários de viagem, Vanzolini demonstra a mesma habilidade para contar as histórias de maneira concisa, econômica, dando ainda mais dramaticidade aos fatos. Em uma viagem ao Xingu, em 1965, o cientista estabeleceu a base de sua expedição em uma aldeia dos camaiurás. À noite, em longas conversas à beira da fogueira, os índios contavam, com naturalidade e em detalhes, como haviam matado homens de sua própria tribo, em geral por suspeita de feitiçaria. O zoólogo resumiu assim um assassinato cometido por um índio chamado Wacucuman, a paulada e tiros de calibre .22: &#8220;Encontrou o outro na praia. &#8216;Porque está rindo, W.?&#8217; &#8216;Porque vai matar você.&#8217; Pau, 22 no coco, corpo n&#8217;água&#8221;. Em suas anotações, Vanzolini agradecia a sorte de nenhum feitiço ruim ter sido atribuído a ele, que, médico, tinha fama de pajé na aldeia.</p>
<p align="justify">Entrevistei Paulo Vanzolini pela primeira vez quando eu ainda estava na faculdade, para um trabalho de conclusão de curso. A sala onde o biólogo trabalhava, no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, era escura e povoada por répteis conservados em vidros com formol e por pesados livros que envergavam as estantes. Ele me ofereceu café, e eu recusei. O herpetólogo, então, ofereceu cachaça. De cima de um armário baixo, apanhou uma garrafa de álcool de cozinha 92,8º e serviu o conteúdo em duas canecas de metal. &#8220;É para os funcionários do museu não acharem que eu bebo em serviço&#8221;, explicou, sobre o hábito de guardar pinga no recipiente de plástico. O expediente já havia terminado e o zoólogo estava prestes a dar lugar ao artista. A cachaça escondida no escritório é como o Vanzolini sambista ou os versos ocultos de suas músicas — nem sempre é visível, mas está lá, parte inseparável do todo.</p>
<p></span></p>
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		<title>CINE BRASILIA &#8211; Uma história verdadeira de estudantes que quase viraram “terroristas” ocorrida na década de 60/70 em Tabatinga/SP</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2009 16:06:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tulio Kengi Malaspina</dc:creator>
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		<description><![CDATA[SP. Prof. Dr. Osmar Malaspina Professor da UNESP – Rio Claro Meados de 1968, a situação política do país era extremamente complicada, onde ocorria uma intensa repressão por parte do governo militar que tinha assumido o poder em 31/03/64, aos chamados grupos terroristas. Tabatinga na época era uma cidade bem pequena e observava os fatos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=omalaspina.wordpress.com&amp;blog=8939227&amp;post=5&amp;subd=omalaspina&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>SP.    Prof. Dr. Osmar Malaspina</em></p>
<p><em>Professor da UNESP – Rio Claro</em></p>
<p><em><br />
</em></p>
<p>Meados de 1968, a situação política do país era extremamente complicada, onde ocorria uma intensa repressão por parte do governo militar que tinha assumido o poder em 31/03/64, aos chamados grupos terroristas.</p>
<p>Tabatinga na época era uma cidade bem pequena e observava os fatos de maneira um pouco diferente. Apenas alguns estudantes, que naquele momento freqüentavam universidade fora da cidade, tinham algum conhecimento mais profundo da situação. Entre esses estudantes estavam Dermerval Silva (Barrão), Zé Mira, Rubens e José Luiz Quarteiro, Nilton Martinez, Francisco Gandolfi (Tiesco), Cláudio Vicentini (Taxinha), João Martins, Antonio Marquesi, Osmar Malaspina (autor do texto) e outros que não lembro mais.</p>
<p>Atividades de lazer, principalmente nos períodos de férias, resumiam-se em longos papos diurnos e noturnos nos bancos da praça, futebol e os filmes do Cine Brasília. A maioria dos namoros, sempre escondido dos pais ocorria no escurinho do cinema.</p>
<p>Este é o eixo central desta história. Eis que os proprietários do único cinema da cidade, Cine Brasilia (Capelli &amp; D’Abruzzo) resolveram fecha-lo. Claro que hoje eu entendo que o advento da televisão, que se iniciava no Brasil nos anos 60, foi o maior responsável por isso. Mas para nós, isso não interessava. Nós queríamos o cinema funcionando, pois ainda na havia motel, ninguém tinha carro&#8230;onde iríamos namorar?</p>
<p>Durante algum tempo manifestamos nossa indignação pela atitude dos proprietários, sem procurar entender a questão financeira. A idéia de pichar o cinema era um dos assuntos das nossas conversas nos bancos da praça. Mais tarde essa indignação passou para atitudes de ação. Só que essa ação não foi concretizada pela maioria do grupo que freqüentava a praça, mas sim por mim e pelo Euclides Claro, que não era estudante universitário. Nessa época, ele já trabalhava e era muito querido na cidade, por ser um dos melhores jogadores do TEC (Tabatinga Esporte Clube). Lamentavelmente o Clidão, como era conhecido faleceu há muito tempo e não pode confirmar essa história, de modo que, sou a única testemunha do fato.</p>
<p>Uma noite fria de inverno, após as chamadas conversas noturnas do banco da praça, quando voltávamos para nossas casas, paramos mais um pouco na esquina onde é hoje o Banespa. Durante a conversa de final de noite, surgiu a idéia de concretizar o protesto contra o fechamento do cinema. A luminosa idéia foi, vamos pichá-lo. Não tínhamos nada preparado. Lembrei-me de umas latas de tinta de parede que meu pai havia deixado no rancho do quintal da minha casa. Minha casa é a mesma onde mora minha mãe até hoje, em frente a Caixa Econômica Estadual. Fui até lá e só achei uma lata de tinta cor de rosa. Não achei pincel. Fomos até o cinema e como não tínhamos pincel, improvisamos uns pedaços de madeira e com a mão jogamos alguns respingos de tinta desordenadamente nas paredes. Concentramos um pouco mais ao redor da bilheteria. Não conseguimos escrever nada legível. Voltamos para casa e procurei guardar muito bem a lata de tinta.</p>
<p>Ao acordar no outro dia, por volta das 8 horas, a notícia já tinha se espalhado pela cidade. Indo em direção ao cinema pela Rua Episcopal, encontrei no caminho o Luiz Del Ducca (já falecido), que contou o ocorrido. Disse-me ele que terroristas (opositores do regime militar da época) tinham, atacado e pichado o cinema. Chegando na praça, vi a entrada do cinema rodeada de uma grande quantidade de pessoas. Aproximei-me e ouvi os mais diferentes tipos de comentários. Também vi muita gente lendo nas paredes, várias frases que tenho certeza, jamais escrevemos. Um pouco mais tarde o Sr. Roque de Rosa (ainda atuante) jornalista da Radio Ibitinga, anuncia solenemente: Terroristas atacam cinema de Tabatinga.</p>
<p>Mais tarde começou a circular outro boato, que a policia técnica de Araraquara estava vindo para Tabatinga para levantar as impressões digitais. Fiquei apavorado. Conhecia bem meu pai, caso ele ficasse sabendo da minha participação no episódio. Nos dias que se seguiram todas as conversas das rodinhas giravam em torno do fato ocorrido. Nessa época, um dos locais preferido para as conversa noturnas era em frente ao Clube Municipal. O pessoal ficava sentado nas cadeiras colocadas na calçada. Eu também participava dessa rodada de conversa e ficava ouvindo as muitas fantasias e suposições que o pessoal fazia sobre o ataque dos terroristas. O escrivão de policia da época, o Sr. Antonio Serafim Fucci era um dos primeiros a chegar na roda e dizia abertamente que ele e a policia sabiam quem eram os terroristas. Eu sentado ao lado tinha dois tipos de sentimentos: um a de orgulho por ter feito e outro de medo, porque se a policia sabia, certamente estaria encrencado.</p>
<p>Bem, passaram-se vários dias, os boatos diminuíram e nada aconteceu de mais grave. O medo sumiu e então veio á idéia de pichar novamente. Só que agora com planejamento e sem improvisações. Assim foi feito, aumentando o número de participantes. O Euclides Claro não foi. Fomos em quatro. Eu, (hoje professor da UNESP), o Ivair Carlos Rossi (hoje residente em Ibitinga), o José Luiz Quarteiro (hoje prefeito da cidade) e o Benedito Aparecido Prevato (Diretor do O Jornal, falecido recentemente). Quem diria que hoje esses jovens da época, tornaram-se  respeitáveis cidadãos.</p>
<p>Compramos tinta vermelha e ficamos até tarde na casa do José Luiz ouvindo o jogo do Palmeiras x Guarani e um pouco mais tarde dirigimos até o cinema para fazer o serviço. Naquele época não tinha jogo na televisão&#8230;..tinhamos que ouvir no radio.   Enquanto um vigiava, os outros cuidavam da tinta e eu escrevia. Lembro perfeitamente das frases: “Não percam hoje, Os Miseráveis” do lado esquerdo e perto da bilheteira. Do lado direito escrevi: “Na próxima vez atearemos fogo em tudo”. Em seguida, caminhamos em direção ao jardim e fomos respingando marcas de tinta em círculo até o obelisco central onde marcamos com um X.</p>
<p>Novamente no outro dia pela manhã, a Radio Ibitinga noticiava que os terroristas tinham atacado novamente. Os boatos recomeçaram. Agora diziam que tinham certeza que eram estudantes terroristas os culpados, pois as frases estavam corretamente redigidas, inclusive á acentuação da palavra miseráveis.</p>
<p>Outra grande discussão polêmica das rodas de bate papo em frente ao Clube Municipal, era tentar acertar o horário que tinha ocorrido o fato. Uns diziam às 2 horas da manhã, outros as 3, 4 ou 5 horas. O horário correto não recordo, mas deve ter sido muito mais cedo, logo depois do término do jogo do Palmeiras.   Outra história que surgiu foi que o Sr. Angelim (também não recordo o sobrenome dele), que trabalhava com o Sr. Hugo Capelli, ficava escondido em cima da árvore localizada na esquina do jardim e em frente ao cinema. Nunca tivemos confirmação se isto era verdade ou não.</p>
<p>Até o padre da época, durante as missas pedia para os terroristas não atearem fogo, pois esse poderia atingir outras casas, inclusive a Paroquial que era (e ainda é) vizinha ao cinema.</p>
<p>Novamente os boatos acalmaram com o passar o tempo. Começamos então a preparar o terceiro ato de pichação. Pretendíamos fazê-lo novamente e muito melhor organizado. No entanto um fato novo ocorrido após uma brincadeira dançante no Clube Municipal impediu nossa ação.</p>
<p>Nessa noite não sei por que, fui dormir cedo. Muita gente estava no clube. Não sei o horário, mas certamente após o termino da brincadeira dançante, alguns pessoas resolveram completar o que tínhamos começado. Até onde eu sei, nenhum dos meus companheiros que tinham participado das anteriores participou dessa ação. Muitos nomes circularam na época. Infelizmente não posso nomea-los, porque nunca tive confirmação de nenhum deles.</p>
<p>A ação que eles fizeram foi bem mais exagerada que as nossas ingênuas pichações. A porta do cinema era de vidro e eles atiraram diversas pedras de grosso calibre, quebrando-os. O barulho foi intenso, acordando toda vizinhança, inclusive o padre e um dos donos, o Sr. Osmar D’Abruzzo que morava na Rua Episcopal e perto do cinema. Segundo relatos da época, após o ato houve uma correria generalizada pelas ruas da cidade naquela madrugada. Esse ato, mais uma vez assustou todo mundo na cidade, inclusive eu. Agora a brincadeira inicial tinha ficado séria demais, com graves prejuízos, o que certamente provocaria um inquérito policial e eles poderiam chegar até os responsáveis pelos atos anteriores.</p>
<p>Até onde eu sei, as investigações da polícia não deu em nada. O boato que correu na época era que havia filhos de gente importante envolvido e por isso o caso não foi adiante. Até hoje não sei se essa versão é verdadeira ou não.</p>
<p>Após esse episódio a turma do bate papo de frente ao clube acabou provocando uma outra brincadeira para atormentar um dos proprietários (Osmar D’Abruzzo). Todas  as noites alguém batia com força um dos tampões que existiam na fonte luminosa que ficava e fica ainda em frente ao clube. A idéia era assustar o proprietário, como se estivesse ocorrendo um novo ataque.</p>
<p>Com o passar do tempo, a brincadeira foi diminuindo e por fim desapareceu. Os boatos também desapareceram ou foram esquecidos. As noticias de ação de terroristas nunca se concretizaram e o que era um protesto de jovens enamorados não alterou o rumo das transformações pelas novas tecnologias.</p>
<p>Posteriormente os proprietários reformaram o velho prédio do cinema, mas nosso principal objetivo nunca foi atingido. O advento da televisão continuou fechando muitos cinemas na maioria das cidades brasileiras. Nosso Cine Brasília nunca foi reaberto e atualmente os namoros mudaram de local com a criação dos motéis. O país também mudou, o regime militar desapareceu e com ele os chamados terroristas e “terroristas”.</p>
<p>Isso ficou na minha memória e agora quase 40 anos depois, lembrei-me claramente disso ao assistir o belíssimo filme italiano “Cinema Paradise”. Com a mesma temática, tal como no filme, as histórias do declínio dos cinemas são semelhantes, quer numa cidadezinha no interior da Itália ou na cidade onde nasci (Tabatinga) no interior de São Paulo.</p>
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